terça-feira, 5 de maio de 2015

Quero e estimo que tu te fodas

Mesquinhez é o teu nome do meio e agora sei disso. Só tenho pena por não me ter apercebido antes. Nunca houve nada sincero vindo de ti, nenhuma palavra, nenhum sorriso, nenhum abraço. Tudo o que fazes e dizes é com algum tipo de interesse por trás. Todas as pessoas com quem te relacionas, têm de ter algo para te oferecer, mas quando é algo que não tu não queres, desprezas, rejeitas, abandonas sem qualquer justificação, sem qualquer despedida.
É isso, talvez eu tivesse pouco para te oferecer. Tinha abraços, tinha sinceridade, tinha alegria, tinha sorrisos para partilhar contigo, tinha sonhos na minha cabeça. Mas eram coisas que tu não querias.
Eu só te queria a ti, com cada pedaço de mim. Queria ter-te a meu lado, nos dias de sol e nos dias de chuva, nas noites frias e nas noites quentes de Agosto. Tinha um mundo de planos que podíamos realizar, mas acho que não te chegavam.
Acho que me senti mal comigo, durante muito tempo. Até me aperceber que o defeito não era meu.
Dei tudo de mim e não me vou contentar com alguém que dê menos. Não quero um quase, não quero metade, quero tudo. Quero uma mão que esteja lá para mim, sem precisar de a procurar, quero braços que me amparem, quero um sorriso de bom dia, ainda que o dia seja tudo menos bom. Não sou menos, não dou menos, não aceito menos. 
No fundo, não me arrependo, não me posso arrepender de nada. Nem de tudo o que te dei, nem das mensagens melosas que te mandei, nem das palavras que te dirigi. Não me arrependo de ter sonhado tanto, nem de me deitar noites a fio com vontade de te ter perto de mim, aninhar-me nos teus braços e ouvir a tua voz antes de dormir.
Sei que não errei, embora tenha sido cega e iludida ao pensar que tu eras a solução para os meus medos, as minhas carências, os meus problemas. Hoje sei que não, a solução sou eu mesma. Posso estar partida ao meio, ou em mil pedaços, não posso depender de ninguém além de mim mesma para me reconstruir.
É por isso que agora não te quero. Quero e estimo que tu te fodas.
Quando alguém chegar, e se chegar, quero alguém que me conheça melhor do que eu mesma. Que me leia por inteiro, que não se intimide com os meus berros, que saiba quando preciso de um abraço e quando preciso de espaço. Quero alguém que compreenda a minha loucura e que seja louco comigo. Quero alguém que se deite comigo às noites, todas as noites, e saiba, com toda a certeza, que é ali que quer estar. Não lamento o tempo que perdi contigo. Não te odeio, já nem sequer estou chateada contigo. Ensinaste-me a acordar sozinha, a adormecer sem pena de estar sozinha, a viver sozinha sem ter medo nem vergonha disso. Hoje, quero estar sozinha. Não para sempre, não todos os dias. Mas quando e enquanto for melhor assim.
Porque prefiro estar sozinha a estar com alguém que não quer estar ali. Ensinaste-me isso e tenho pena de não poder dizer-to agora. Um dia vou encontrar-te. Daqui a uns meses, talvez sozinha, a recuperar-me, talvez acompanhada, com alguém ao meu lado que queira estar comigo. E vou agradecer-te, do fundo do coração porque, de todo o coração, essa foi a melhor lição que já me ensinaram.




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