sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vamos Conversar

Acho que hoje dava tudo para me sentar contigo e falar-te abertamente, como costumávamos fazer no tempo em que pertencíamos um ao outro. Fosse no sofá, na cama, num restaurante, frente a frente, num banco de jardim, naquele canto mais deserto. Queria ter-te a olhar para mim e a ouvires-me com atenção. A ouvires, sobretudo, aquilo que eu não digo. 
Que ironia, logo eu, que falo tanto, digo sempre tão pouco. Eras dos poucos que tinhas essa capacidade, de ouvir para lá do que eu dizia, de ver para lá da máscara que eu teimava em usar.
Queria que me lesses. Que me dissesses que tudo ia ficar bem e inventasses soluções rápidas para o meu problema. 
Não sei bem qual foi o nosso problema, nem sei porque é que deixamos falhar algo que tinha tudo para dar certo. 
Sento-me sozinha, com aquele peso na consciência de saber que tinha tudo e que o perdi quando andava à procura de mais. 
Depois, encontrei tanto e tudo me pareceu tão pouco. Nenhuma das outras bocas tinha a marca da tua. Em todos os outros cheiros que encontrei, faltava um pouco do teu.
Em todos os outros sorrisos, não encontrava o conforto que tinha no teu.
Tantas caras, tantas pessoas diferentes e eu, burra, achava que ia encontrar o que tinha perdido. Não encontrei.
Agora fico a fingir que está tudo bem e que lido bem com a tua ausência, como se não quisesse abraçar-te. 
Como se não me custasse falar de ti e do que passámos juntos. 
Como se não me apetecesse correr para ti sempre que te vejo, abraçar-te e pedir-te que voltes.
Estou à tua espera. 
Foi a mensagem que tantas vezes escrevi e não enviei. Por medo, por vergonha, por saber que não te posso ter de volta, que os nossos caminhos não se vão voltar a cruzar. 
Eu sei que tens outra pessoa, que te encontraste em alguém. Que hoje passeias com ela com uma calma que não tinhas comigo, que encontraste nela o que eu não tinha a capacidade de te dar.
Provavelmente ela não tem os meus medos, nem as minhas dúvidas a toda a hora. Dá-te a estabilidade que tu precisavas, porque os vossos caminhos estão bem definidos e são iguais, enquanto os nossos foram sempre diferentes e cheios de curvas, com altos muito altos e baixos muito baixos. 
Estava sempre tão carente, precisava tanto de ti, que me esquecia que tu também precisavas de mim.
Sei que estás feliz com ela e fico feliz com isso. Seria egoísta se dissesse que não queria que fosses feliz, porque quero. Mas também seria hipócrita se dissesse que isso não me destrói um bocadinho por dentro.
Não vou beijar outros quando és tu quem quero. Não vou procurar coisas que sei que não vou encontrar, porque não vale a pena.
Quero acreditar que existe alguém, que vai chegar alguém que olhe para mim como tu olhavas. Que tenha um caminho certo mas que não se importe de passear comigo pelas curvas do meu.
Quero pensar que me vou encontrar em alguém, da mesma forma que me encontrava contigo, mas sem pensar em ti. 
Não é isso que todos nós queremos? Encontrar-nos em alguém?
É isso que eu quero. Encontrar um equilíbrio que não conheço há muito tempo, demasiado tempo.
Mas primeiro tenho de encontrar-me sozinha. 



1 comentário:

  1. Meu Deus, nem sabes o bem que me soube ler isso!
    Fizeste o meu dia, muito obrigada <3

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