Estou à tua espera.
Sei disso e não preciso de o dizer em voz alta, ou de o admitir para os outros, para saber que é verdade.
Cada poro do meu corpo espera por ti e insiste em esperar.
É estranho e assustador. Há muito tempo, demasiado tempo, que não espero por ninguém e que não quero esperar nada de ninguém.
E aí estás tu, tão sombrio e solto, sem saberes que te chamo e que grito o teu nome em silêncio.
Tento distrair-me, distrair-me de ti e do tempo que perco à tua espera e encontro mil distrações. Foco-me no trabalho, nos amigos, nos cafés, nos jantares, nas noitadas e nas bebedeiras, nas conversas soltas, nas brincadeiras, nas gargalhadas trocadas.
Esqueço-me do que é estar à espera de alguém, estar à tua espera. Até que tudo se volta a resumir a ti.
A ti e às emoções que me trazes e que me embrulham o estômago e me toldam a mente.
Baseio-me em dias sem sabor e sem cor, em conversas que desvio apenas para não falar de ti, para não pronunciar o teu nome, como se isso me fosse fazer esquecer de ti. Baseio-me nas brincadeiras que tenho enquanto penso no que estás à espera de fazer, no cigarro que se apaga sem eu ter sequer travado, na vodka que não tem o sabor que procuro e numa cama onde não te encontro.
Onde não me encontro. Porque não sei onde estou.
Insistem em dizer-me que não és o homem certo para mim... como se eu fosse a pessoa certa para alguém.
Verdade seja dita, não quero esperar mais.
Não nos vejo juntos.
Mas gostava.
Sem comentários:
Enviar um comentário