Sabes? Escrevo-te, mas não estou a pensar em ti. Nem em mim, nem sequer em nós. Eu achei e quis que tudo fosse mais fácil. Durante muito tempo, acreditei que não havia nada de errado no que sentia. Não estava apaixonada. Não estava sequer interessada. Estava confusa, quebrada por situações que nunca consegui perceber nem controlar, magoada por acontecimentos que me deixaram marcas profundas até hoje.
Não queria relações nem compromissos. Não queria nem precisava de promessas vãs ou palavras bonitas de amor.
Por incrível que pareça, não sou dessas pessoas loucas por relações, com necessidade constante e permanente de ter alguém para tocar, beijar, sentir. Sou muito eu e muito minha e tudo o que é meu também tem de ser muito meu.
Sou o meu maior amor. E nem sei quanto tempo demorei a aperceber-me disto. Sou tudo o que tenho, tudo o que me resta das promessas quebradas, das pessoas perdidas, dos projetos falhados, das desilusões constantes.
E não quero perder-me - nem perder o meu tempo - com relações fingidas que não levam a lado nenhum. Não quero perder-me com algo que sei que não é meu.
Não te queria. Mas queria o teu ombro. Queria um sítio para chorar, para me confortar quando precisasse. Queria ouvir as tuas piadas e partilhar contigo conversas sem sentido e palavras emotivas. Queria acordar com um telefonema teu e ouvir a tua voz de sono logo pela manhã e escutar a tua gargalhada nas noites frias. Queria desesperadamente que olhasses para mim e me visses - porque só tu me vias dessa forma tão tua.
Queria o teu abraço, queria que estivesses lá comigo e me dissesses que ia ficar tudo bem. Queria ligar-te em primeiro lugar para te contar as novidades e ouvir a tua voz entusiasmada do outro lado.
Não me apaixonei por ti e hoje sei disso. Apaixonei-me por essa promessa - e pela falsa alegria - de que podias fazer-me ficar bem.
Fazias-me falta, porque faz falta ser a falta de alguém.
Talvez te tenhas cruzado comigo apenas para me mostrares que só eu tenho a capacidade de tomar as rédeas da minha vida e fazer com que fique tudo bem. Talvez apenas tenhas aparecido para mostrar-me que estou bem comigo mesma, ou talvez tenhas aparecido sem nenhum motivo.
E talvez, só talvez, o vento me leve até ti um dia e eu tenha a coragem para te dizer todas as palavras que nunca tive coragem de dizer.
Mas já não tenho esperanças disso. E soube, no dia em que perdi a esperança de te voltar a encontrar, que não tinha de ser.
Apesar de tudo, obrigada. Mostraste-me coisas que eu precisava de ver, ensinaste-me coisas que eu tinha de aprender.
Demorei muito tempo a aperceber-me disso. Mas, agora que o sei, sou muito mais eu. Sou muito mais minha. E não há sensação melhor.
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