quinta-feira, 21 de maio de 2015

Só Queria

Acho que algumas pessoas entram na nossa vida apenas para nos mostrar que as coisas mudam.
Sim, as coisas mudam, o Mundo gira, os dias passam, tudo evolui, o Inverno dá lugar à Primavera e assim sucessivamente. 
Tudo muda e as coisas nunca voltam a ser como eram.
Foi isso que eu aprendi e é essa uma das poucas certezas que tenho, em 20 e poucos anos de existência.
Nada volta a ser como era antes.
Eu não me consigo lembrar como era há uns tempos atrás, há uns meses ou anos.
Não me lembro de como era antes de os medos dos outros me atingirem, antes das preocupações do Mundo me caírem sobre os ombros. 
Não me lembro de quando era apenas uma miúda que sorria por tudo e por nada, que fazia comédia das coisas mais simples, que via em tudo algo de bom. 
Hoje, eu queria voltar a ser assim. 
Queria preocupar-me com pouco ou com nada, queria ser livre e não deixar que os stresses dos outros me caíssem em cima.
Queria sentir o sol na pele e a areia nos pés, sem pensar no que os outros diziam, ou pensavam.
Queria que os meus medos fossem apenas meus e, sempre que os partilhasse com alguém, fosse por vontade própria, não por estar tão enterrada neles que já não conseguia desenterrar-me sozinha.
Queria não conseguir adormecer, não por medo nem preocupações, mas porque alguém estava ao meu lado e me tirava o sono. De uma maneira louca e saudável, se é que isso é possível. 
Já não consigo. Algumas pessoas mudaram-me tanto, atormentaram-me, assustaram-me.
Aumentaram-me, diminuíram-me, envolveram-me.
Encheram-me de medos, de angústias, de frases feitas que não me levaram a lado nenhum. 
Às vezes, queria apenas voltar a ser a miúda que fui há uns tempos e dar a conhecer os meus inúmeros sorrisos a alguém. O sorriso tímido, o ausente, o irónico, o perspicaz, o amigável, o "não te conheço mas gosto de ti", o "somos amigos mas podemos ser algo mais". Tantos sorrisos, todos tão meus, que eu gostava de partilhar com alguém.
Já não consigo. Hoje sou medo. Sou dúvidas e estou tão embrenhada naquilo que os outros deixaram que não consigo ser apenas eu.
Perdi um pouco de mim e esse pouco não volta. 

Hoje eu queria deitar-me como se nada importasse, partilhar com alguém aquilo que me vai na alma, sem medos.
E não consigo. 
Talvez a solução, a minha solução, seja deixar o tempo passar.
Não para recuperar aquilo que perdi, mas para assimilar aquilo que os outros deixaram e deixam em mim.
Para conseguir aperceber-me que, o meu eu mudado, também sou eu. E não sou menos eu por isso.
Talvez tenha apenas que deixar o tempo passar.
E esperar que o tempo me traga a calma, a calma que eu não tenho, nunca tive e quero aprender a ter.


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